Artigo

16-10-2006

O árbitro e a sua vida social

Poderá o árbitro frequentar lugares onde se encontram pessoas ligadas ao mundo do futebol? E se o árbitro encontrar algum director desportivo com quem tem boas relações pessoais? E, se “alguém” vê esse aperto de mão? E se, no futuro, esse árbitro arbitrar um jogo do clube desse director desportivo, com quem bebeu um copo socialmente naquela ocasião, e esse clube tiver ganho por causa de um fora de jogo que foi marcado por ter sido duvidoso (até para os milhares que assistiram ao jogo pela televisão) ou por uma grande penalidade que não existiu porque se provou que o jogador “sacou” bem essa falta? E se, por tudo o que aconteceu, misturando tudo numa panela de pressão, o pipo saltar, ela explodir e for levantado um processo por suspeição acusando o árbitro de ter influenciado o resultado? O que vai acontecer à nossa democracia? O que é a nossa democracia e justiça? O que é a liberdade? O que é a liberdade nos dias de hoje? Voltámos às aparências? Voltámos a ter que nos esconder? A resposta deveria ser: sim, claro, com as devidas reservas, há locais e locais, há encontros ocasionais e outros que dificilmente acontecem por simples coincidência. Ora pois, esquecemo-nos é que o país é muito pequeno, todos se conhecem, se não se conhecem já ouviram falar… e daí?

Como psicóloga, tenho que perguntar o seguinte: como é que árbitro se sente, quando envolvido num processo deste tipo? Injustiçado? Zangado? Triste? Ansioso? A melhor pergunta seria: como se deve sentir o árbitro quando todas as semanas é alvo de suspeição? Talvez a melhor pergunta não seja para o árbitro mas para o público: como se sentiria se estivesse na pele do árbitro?

Talvez seja importante pensar nisto.

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