Entrevista a...

Nome: Bertino Miranda

P:

O que te fez entrar para a arbitragem?

R:

Em 1992 eu trabalhava e estudava à noite, e apesar de o meu irmão ser Árbitro de 2ª Divisão Nacional não sentia atracção nem tinha tempo para dedicar arbitragem.

Acabei por aceitar um desafio de um amigo (Fernando Xisto) que levou-me a ir tirar o curso com ele.

P:

Porquê árbitro assistente e não árbitro principal?

R:

Em 1996 tive de optar entre ficar na equipa do Paulo Costa na 1ª divisão ou formar uma equipa nos distritais para subir aos Nacionais, foi preponderante amizade e cumplicidade existente no seio de uma equipa de jovens, com sonhos e ambições comuns.

P:

Quais as maiores dificuldades da função de árbitro assistente?

R:

Manter os níveis de concentração e colocação ao longo dos 90 minutos, e na análise do fora de jogo desenvolver a capacidade de percepção do momento do passe e de antecipação das jogadas.

P:

Já estiveste em jogos e competições apenas ao alcance de poucos. Se tivesses de escolher apenas um momento mais marcante da tua carreira, qual era e porquê?

R:

Seria o jogo Benfica X Sporting de 2006, foi o momento de “viragem” na minha carreira, aumentou imenso os meus níveis de confiança e concentração e fez-me perceber que só preparando e encarando os jogos com determinação se atingem os objectivos.

P:

Qual o momento mais triste/difícil que viveste na arbitragem?

R:

Felizmente que não tenho muitos momentos desses, mas por ser recente e ainda sentir mágoa, foi o final da carreira do Paulo Costa.

P:

Já estás na arbitragem há 18 anos. Quais as principais evoluções que verificaste? E o que está ainda por fazer?

R:

Arbitragem evoluiu imenso, principalmente nesta última década, existem novas ferramentas e métodos de treino/preparação e análise para os jogos que contribuíram para isso. Realço os treinos técnicos em terreno de jogo, a preparação mental, e o facto de existirem cursos de aperfeiçoamento em que se reúnem as equipas de arbitragem para melhorar os desempenhos.

Por fazer estão duas coisas, uma já está em marcha e só depende de nós, que é a mudança de mentalidade dos Árbitros e de quem nos dirige, a outra é o profissionalismo, as exigências são cada vez maiores, e se queremos continuar a evoluir temos de ter tempo e meios para poder trabalhar.

P:

Existem diversas propostas/ideias de aplicação de novas tecnologias de apoio à arbitragem. A quais és favorável e a quais não dás a tua aprovação?

R:

Não me parece exequível a maior parte das propostas apresentadas, para já a única que julgo ser de fácil aceitação e implementação é a tecnologia que permite confirmar se a bola ultrapassou ou não a linha de baliza.

P:

Actualmente és uma referência na arbitragem portuguesa mas, certamente, tens ou tiveste os teus árbitros e árbitros assistente de referência. Quem são eles e porquê?

R:

É engraçado que não me lembro de existir um Árbitro para quem olhasse como modelo, mas o primeiro Árbitro que me marcou foi o José Guedes, pela sua humildade e prazer de partilhar a sua experiência com os restantes.

Nos Assistentes tenho imensas referências, pois trabalhei e continuo a trabalhar com pessoas fantásticas com quem tenho aprendido imenso. Destaco dois que já não estão no activo, o Paulo Januário pela sua capacidade de análise, antecipação e intervenção, e o Carlos Matos pela forma tranquila e discreta mas extremamente eficiente com que desempenhava as funções.

P:

Uma pergunta “à jogador”: Como defines o Bertino Miranda como árbitro? E como homem?

R:

Como o Árbitro é o reflexo do Homem a definição é uma só, sou extremamente exigente, comigo e com todos os que me rodeiam.

P:

Que questão nunca te colocaram mas à qual gostarias de responder? Qual foi a pessoa que mais o surpreendeu no mundo da arbitragem?

R:

Foi o Olegário Benquerença, pela sua crença e determinação. Em 2007 ele dizia que o sonho podia tornar-se realidade e que isso estava nas nossas mãos. Felizmente ele tinha razão!